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Certa vez, um belo missionário perguntou a um grupo de pessoas se haveria alguém naquele meio que porventura se sentisse carente.
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Algumas mãos foram levantadas, desnunando a confissão do interior de suas almas enquanto outras se mantiveram intactas por se sentirem ausentes de quaisquer carencias.
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Neste momento, o sábio missionário sorriu e afirmou a todos que muito embora poucos tivessem dito por gestos o que sentiam, confortou o restante dizendo que na verdade todos são carentes sem exceção.
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Portanto, todos nós, pobres mortais, apesar de negarmos, possuímos sim diversos níveis de carências, dúvidas, temores, insatisfações, angústias, aflições, e sobretudo solidão.
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Estamos vivendo em um mundo cada vez mais carente, principalmente de amor ao próximo, de solidariedade, fraternidade, e isso é muito fácil de ser percebido no nosso dia a dia. Basta começar a reparar as atitudes e feições de todos que nos cercam.
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Apesar de toda tecnologia e redes sociais, parece que existe um certo distanciamento entre as pessoas, que por comodidade ou receio, preferem adotar o meio "mais seguro" e fácil de relacionamentos virtuais, talvez por receio de se machucar, de se decepcionar com as atitudes das pessoas as quais talvez, por alguma razão, não poderão corresponder com aquele "algo mais, em especial que todos nós buscamos, e assim, fica mais fácil simplesmente a comunicação por email, sms, e todos os demais tipos disponíveis existentes em redes de relacionamentos.
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Às vêzes, as pessoas apesar de muito próximas, passam indiferentes pelas outras que se dizem amigos(as), e ao chegar em casa, encontram na forma virtual, as condições ideais de dizer tudo que não quiseram ou não tiveram coragem de dizer.
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Não estou em absoluto dizendo que a internet seja ruim, ao contrário, se bem utilizada é extremamente benéfica, entretanto, o comportamento das pessoas vem se modificando, deixando alhures sentimentos e emoções que não podem ser traduzidos por palavras virtuais, e por melhor que seja sua intenção, nada substitui o calor humano.
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As pessoas estão cada vez mais receosas em demonstrarem esse calor humano por vários motivos, em sua maioria injustificáveis, e por via de consequencia, devido a um distanciamento inexplicável, preferem a solidão, e nela, criam personagens e projetam seus anseios de modo a satisfazê-los sem maiores "riscos".
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É bom lembrar que todo ser humano é gregário , e que não consegue sobreviver sozinho, e muitos, por razões que até eles mesmos desconhecem, temem em revelar segredos os segredos de sua alma, e não raro se justificam dizendo que "isso só pode ser coisa do destino!".
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E o grau de carencia é cada vez mais elevado, e sabendo que "aquele algo mais" poderá nunca ocorrer da forma que se anseia, se fazem de fortes, ainda mais porque em algum momento de fraqueza, já tiveram o desprazer de serem manipulados, enganados, ou iludidos por pessoas inescrupulosas, que se aproveitaram dessas "carências", notadamente em redes de relacionamentos, e que preferem brincam com os sentimentos dessas pessoas muitas vezes bem intencionadas, à procura de algum feedback a mais, e tudo que encontram é desprezo, daí o distanciamento, a solidão que conduzem a diversos níveis de depressão.
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É sempre bom se comunicar, mas em se tratando de internet, as devidas cautelas são sempre bem-vindas, e de uma forma ou outra, as verdades sempre aparecem.
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Então, entendo que o que pode ser dito ou feito pelos meios usuais, principalmente
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tratando-se de relacionamentos mais consistentes, não há como ser susbstituído pelo virtual.
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Relacionamentos e amizades pautados nas mentiras, não possuem as mínimas condições de serem bem sucedidos, pois tendem a conduzir antes sentimentos puros e verdadeiros a caminhos tortuosos e ao final, o único sentimento reinante poderá ser o de pena, dó, e piedade é um dos piores sentimentos que um ser humano por nutrir por outro.
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Só se dá valor a algo valioso, quando se perde, e aí, poderá ser tarde demais.
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Gostei demais de uma bela passagem do livro Ágape que fala sobre o amor puro, incondicional , verdadeiro de Deus, e a religião, seja qual for, em tempos em que as pessoas estão cada vez mais distanciadas umas das outras, é sempre bem vinda e que nos ajuda no fortalecimetno do espírito, não se esquecendo que estamos todos de passagem, e o somatório de nossos atos reverterão em benefício ou contra nós mesmos.
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Tentemos semear o bem, sabendo que tudo que aqui se planta se colhe.
Bonito texto.
ResponderExcluirdeixo o elogio ao amor de Miguel Esteves Cardoso
Elogio ao Amor 'Quero fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito.Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porq...ue se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em 'diálogo'. O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam 'praticamente' apaixonadas. Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do 'tá tudo bem, tudo bem', tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso 'dá lá um jeitinho sentimental'. Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores.
Continua.
O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A 'vidinha' é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não."
ResponderExcluirBeijo meu.
Amor puro e incondicional é lindo... até um dia.
ResponderExcluirTantas vezes que o "dar pura e simplesmente", acaba por deixar travo amargo na boca.
Porque, mesmo sem se ter a intenção de ser retribuída pelo que se dá, há sempre uma dignidade que não merece ser ofendida, e quando acontece o tal, a dor é avassaladora, por certo.
É tudo tão complexo, e pode ser analisado sob tantos prismas, que daria aqui um artigo enorme, demorado ;)
Mas fica o bichinho!
Bjks amigas e, apesar de tudo, cá está uma defensora do "amor incondicional" por mais riscos que traga!
A amizade virtual realmente grassa em nosso meio e tenho testemunho pessoal de pessoas que são minhas "amigas" na rede e quando me encontram se comportam como estranhos!
ResponderExcluirNada,nada substitui o contato físico!
Um beijo!
Sonia Regina
Meu querido amigo Manuel.
ResponderExcluirQuero muito de lhe agradecer pelo gradioso texto a mim enviado de Miguel Esteves Cardoso, e o "elogio ao amor" não poderia ser sido mais completo e complexo.
Foi um lindo presente e que vou guardá-lo com muito carinho.
É um tema muito subjetivo e que envolve muitos sentimentos e circunstancias.
E sabe, às vezes o amor é também do tipo LIBERTADOR.
É um bem querer infinito. O que importa é em suma querer ver quem se ama feliz. Não é tão fácil como se pensa, porque a tendência é desejar estar sempre junto, desde que seja bom para ambos, o que difere do amor de Deus que realmente é incondicional.
Mas, sempre vale a pena arriscar, mas ter o cuidado de não perseguir algo que pode estar fora de alcance. É importante saber quando parar e buscar outras opções, e tudo exigido deixa de ter seu valor.
Falar é sempre muito fácil, porque cada caso é um caso e o modo de ver e sentir as coisas difere de cada um.
Mas, sem dúvida, o amor é a arma mais poderosa do mundo, e sem ele, nada faz sentido.
Um beijo prá ti, meu amigo.
Amei o belíssimo texto que me enviastes.
Regina Goulart
Carmem, obrigada pela visita.
ResponderExcluirVocê soube muito bem contextualizar sobre o tema amor.
Acredito que o incondicional mesmo seja o amor de Deus.
Enquanto pobres mortais que somos, buscamos fórmulas ao alcance da felicidade, o que inclui aquele feedback necessário, muitas vezes expressado através de gestos e atitudes, mas as palavras também são importantes, e se bem aplicadas complementam sentimentos e traduzem os anseios d´alma.Por isso deve se ter o cuidado de pensar um pouco antes de falar, e não raro, é preferível o silencio.
O coração esconde muitos segredos, e nem tudo pode ser dito, mas sim sentido.
Como você disse, é tudo muito complexo, e a tendência é a gente querer complicar ainda mais as coisas.
A dignidade é de fato um caminho que conduz ao amor próprio, e por isso mesmo, devemos ter o cuidado de não ultrapassar certos limites, e saber quando parar e procurar outras opções.
Quem nunca amou na vida, também nunca soube o que é viver. Arriscar faz parte, mas até certo ponto e cada um deve procurar entender alguns porquês importantes. Existem coisas que podemos mudar e outras não, e saber diferenciar entre elas é sempre prudente e sábio.
Um beijo fraterno.
Regina Goulart
Sonia Regina, saudades.
ResponderExcluirAdoro sua visita.
Compartilhamos dos mesmos sentimentos em relação ao mundo virtual.
Nada reamente substitui o contato físico, o calor humano.
Só não dá prá entender o porquê de nos mandarem tantas coisas lindas de morrer via email, etc..., e quando nos encontram ao vivo e a cores, se portam como se nunca tivessem nos visto ou conhecido, o que é no mínimo estranho.
Antigamente não se dispunha de tantos recursos e no entanto as relações de amizade eram bem mais duradouras.
É preciso saber escolher onde navegar na internet, e o mesmo se aplica em relação aos relacionementos.
Um beijo carinhoso.
Regina Goulart